Hospital oferece atendimento exclusivo para pacientes terminais há uma década

Folha de Londrina – 15/07/2017

Link original da reportagem: http://www.folhadelondrina.com.br/reportagem/despedida-digna-hcl-e-pioneiro-em-cuidados-paliativos-982525.html

O HCL (Hospital do Câncer de Londrina) tem uma história de pioneirismo na oferta de cuidados paliativos. Há dez anos, a instituição iniciou um serviço próprio para garantir mais conforto e dignidade aos pacientes em estado terminal. Há exatamente um ano inaugurou uma unidade própria de cuidados paliativos que, apenas em junho, atendeu 154 pacientes nas modalidades de ambulatório, internação e atendimento domiciliar.

A equipe é chefiada pelo médico Marcos Lapa e agrega as médicas Madalena Sampaio, Raquel Barcelos e Etel dos Santos Fernandez, a assistente social Alexsandra Santana, a psicóloga Tatiana Brum, a enfermeira chefe Michele Vieira, a fisioterapeuta Aline Escobar e a enfermeira voluntária Inês Gimenez, uma das pioneiras na aplicação de cuidados paliativos em Londrina.

Conforme relatou o grupo, a unidade garante maior rapidez na resolução da dor e do desconforto dos pacientes, visto que há um médico disponível durante todo o tempo. “Antes tinha um tabu sobre a unidade, as pessoas achavam que ‘vinham para morrer’. Agora os próprios pacientes pedem, porque aqui fazemos concessões que não são possíveis em outras unidades”, explicam.

Comer alimentos trazidos pela família, visitas em horários mais flexíveis, presença de crianças e até mesmo a pet terapia, com visitas de animais organizadas por uma equipe da UniFil, são algumas das “vantagens”. “O foco de atenção não é mais a doença, mas o alívio do sofrimento do paciente e da família”, enfatiza a médica Etel.

A psicóloga Tatiana conta que faz visitas constantes e atende todas as demandas relativas a quem está no fim da vida. “Cada caso é único, mas temos um olhar bem individualizado para conseguir solucionar. Muitas vezes, o paciente precisa de tranquilidade emocional e, quando encontra, até a dor diminui”, diz.

A equipe colabora para minimizar a dor física e emocional e também ajuda em esferas mais práticas, como questões financeiras. “Tivemos um paciente que só ficou tranquilo depois que se casou, pois não queria deixar a esposa desassistida. São muitas demandas a serem resolvidas até que possam se despedir”, exemplificam.

A médica Madalena é professora de cuidados paliativos na PUC de Londrina e destaca que poucas escolas de medicina oferecem a disciplina. “Com isso, os alunos não aprendem que a morte é um fim aceitável. São treinados apenas para curar”, pondera. Apesar de concordar que falta treinamento, a profissional destaca que há um esforço para introduzir o assunto nos hospitais da cidade, inclusive com criação de comissões sobre cuidados paliativos.

Raquel complementa que a falta de conhecimento sobre o assunto pode provocar sofrimento nos pacientes pela aplicação de medidas fúteis. “São procedimentos que não trazem ganhos, mas que os médicos usam porque não são treinados a aceitar que a morte faz parte da vida”, esclarece.

PIONEIRA

A enfermeira Inez começou a atuar na área de cuidados paliativos na década passada, junto com o médico Luiz Fernando Pinto, criador do serviço do Hospital do Câncer. Ao participar de uma capacitação sobre o tema, ela estabeleceu a meta de ensinar o assunto a outros profissionais, o que fez durante anos em instituições de ensino e também na ONG Paliare. Atuou também na Secretaria Municipal de Saúde, que oferta cuidados paliativos em atendimento domiciliar.

Após a aposentadoria, ela passou a trabalhar como voluntária no hospital, atendendo pacientes também em relação à espiritualidade, o que não é necessariamente ligado à religião. “É preciso dar sentido à vida para dar sentido à morte”, ensina, lembrando que as interpretações para o fim da existência são variadas. “Tem quem fique contente por promover a união dos filhos ou resgatar vínculos afetivos. A proximidade da morte é uma oportunidade para tudo isso.”

Carolina Avansini
Reportagem Local
Imagem: Saulo Ohara

Legenda: “O foco de atenção não é mais a doença, mas o alívio do sofrimento do paciente e da família”, explica a médica Etel Fernandez

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