Projetos voltados à área de saúde foram idealizados e apresentados em hackaton no último fim de semana; premiação aconteceu nessa terça-feira

Divulgação

Guilherme Costa, Clybas Correa Rocha Neto, Olívio Campaner Neto e Danielle Gracioso (sentada) com o médico ortopedista César Macedo, que ajudou a validar o projeto da equipe – o Luna Health, dispositivo que auxilia na prevenção da dor nas costas

Os benefícios do uso da tecnologia na saúde são incalculáveis. Afinal, trata-se de uma área crítica que exige medidas altamente eficazes. Assim, inovações que ajudem a melhorar a atividade nesse setor se tornam essenciais. De acordo com o Grupo Salus (Saúde Londrina União Setorial), formado por clínicas, hospitais, empresas e entidades de Londrina, a tecnologia já vem se inserindo rapidamente na área de diagnóstico. Porém, existem ainda lacunas, especialmente nas áreas de assistência e de gestão.
No último fim de semana, foi realizado no Hospital Evangélico de Londrina o Hackaton Health Tech, que resultou no surgimento de ideias inovadoras com o fim de melhorar o setor de saúde sob a ótica do paciente com o uso da tecnologia. Para a maratona hacker, o Salus elencou três desafios baseados em pesquisas do setor e na própria experiência do grupo. O primeiro tem relação com o tempo de espera para atendimento. Um levantamento feito pelo grupo mostrou que a demora no atendimento é a principal reclamação de pacientes. É preciso reduzir o tempo de espera ou fazer com que o paciente se sinta mais confortável com a espera.
Tornar a prevenção um hábito dos pacientes é outro desafio lançado pelo grupo. Conforme eles, os pacientes costumam procurar o serviço de saúde com a doença já em estágio avançado. Por fim, o preenchimento de formulários e documentos é apontado pelo Salus como um grande problema do atendimento. Perde-se muito tempo nessa etapa do processo, fazendo o tempo de espera pelo atendimento aumentar ainda mais. Um preenchimento mais ágil e integrado de formulários e documentos é visto como uma grande necessidade do setor.
“Quando pensamos em tecnologia, temos a tendência de pensar em coisas muito grandes. Mas nem sempre é assim. Existem soluções simples que atendem às necessidades do setor e que não custam caro”, ressalta Luiz Soares Koury, presidente do Grupo Salus.

Dor nas costas
A equipe vencedora da Hackaton Health Tech foi a criadora da solução Luna Health, formada por um desenvolvedor, um economista, designers gráficos e uma profissional de saúde. Eles idealizaram um dispositivo capaz de medir a inclinação da coluna e cruzar a informação com outros tipos de dados como tempo e indicadores de dor (que podem ser informados pelo próprio usuário) usando computação cognitiva. A solução é voltada a auxiliar empresas que se preocupam com a saúde de seus colaboradores.
“Para testar a viabilidade do projeto, fizemos uma pesquisa na área de saúde e vimos que havia muitos casos de afastamento por dor nas costas e isso gera custos para as empresas”, observa Clybas Correa Rocha Neto, integrante da equipe junto com Danielle Cristina Gracioso, Guilherme de Almeida Costa, Olívio Campaner Neto e Marcela Trindade Fabiano.
“Nossa sugestão é fazer esse teste (usando o dispositivo) nos exames admissional e periódico e traçar um perfil do colaborador para poder ajustar a ginástica laboral, fazer a realocação de funcionários, mudança de setores”, continua Rocha Neto. A validação do projeto contou com a participação de um médico ortopedista especialista em coluna.

Risco de queda
O segundo colocado foi a equipe do HB Monitor Sensors, um projeto que usa sensores para detectar situações que podem indicar o risco de queda de pacientes em quartos de hospitais. “Ao conversarmos com enfermeiras, elas comentaram sobre um problema que afeta bastante pacientes que é a queda de pacientes dentro do quarto porque eles resolvem ir ao banheiro sem acompanhante, por exemplo. Isso acontece principalmente com idosos”, relata Marcus Vinicius Lamin, estudante de Matemática Industrial da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e um dos integrantes do grupo.
Sensores instalados na cama poderiam indicar quando a grade é destravada e quando o paciente saiu da cama. Ao cruzar esses dados com informações do paciente, enfermeiras são capazes de inferir o grau de risco de queda. Os mesmos dispositivos poderiam ser utilizados para medir a inclinação da cama e alertar quando a posição é alterada. A medida contribuiria para manter a inclinação correta das camas do hospital conforme o estado de cada paciente.

Tempo de espera
Na terceira posição, ficou a equipe do Fast-Health, uma solução voltada a reduzir o tempo de espera de pacientes pelo atendimento. Conforme cálculos realizados pela equipe, o atendimento de um paciente leva cerca de 17 minutos. Se ele pudesse fazer um pré-cadastro e uma pré-consulta preenchendo formulários via um dispositivo móvel conectado à rede sem fio do hospital ou por um totem (caso ele não tenha celular ou tablet), esse tempo poderia ser reduzido para sete minutos.
“Isso aceleraria o processo em todos os setores por onde o paciente passa – triagem, cadastro e consulta médica”, diz Gustavo Cavalcante, estagiário na área de Técnico em Informática e um dos membros da equipe. “O problema da fila tem que ser resolvido de alguma forma, e isso seria uma boa solução.” O sistema poderia ainda emitir notificações para avisar pacientes de que seus exames estão prontos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *